O grupo Estoril-Sol enviou hoje um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) onde afirma que a posse das instalações do Casino de Lisboa havia já sido acordada durante o Governo de Durão Barroso, em 2003. Foi este “pressuposto”, refere a nota, que levou mesmo à aquisição, “devidamente autorizada pelo Governo”, a 23 de Dezembro de 2004, destas infra-estruturas, tendo a Estoril-Sol pago à Parque Expo 98 pelo antigo Pavilhão do Futuro, incluindo uma fracção do parque de estacionamento, 17,6 milhões de euros.

No comunicado hoje tornado público – que havia sido requerido pela CMVM, pelas notícias recentes envolvendo uma empresa cotada em bolsa – a Estoril-Sol admite no entanto que não era nesta altura perfeitamente claro, para o Governo, a interpretação da lei do Jogo. Razão pela qual continuou a pressionar os responsáveis pelo Turismo e pela Inspecção-Geral de Jogos para que esclarecessem definitivamente o assunto.

De acordo com escutas telefónicas a que o jornal “Expresso” teve acesso, incluídas no processo Portucale, o responsável pela Estoril-Sol, Mário Assis Ferreira, desenvolveu vários contactos com o director financeiro do CDS-PP, Abel Pinheiro, no fim do mandato do Governo de Santana Lopes, no sentido de conseguir um parecer da Inspecção-Geral de Jogos que tornasse inequívoca a posse das instalações do Casino de Lisboa.

O comunicado da Estoril-Sol, que detém também o Casino do Estoril e da Póvoa, não explica por que razão Mário Assis Ferreira geriu este processo com Abel Pinheiro, que não tinha funções governamentais, e não com os responsáveis da tutela, nomeadamente com o então ministro do Turismo, Telmo Correia.

Fonte: PUBLICO

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