A banca portuguesa tem de conseguir 30 milhões de euros de financiamento cada dia para cobrir o diferencial entre o que Portugal importa e exporta, uma dificuldade com que a economia portuguesa terá que confrontar-se durante anos, sustenta o economista Daniel Bessa.

O antigo ministro da Economia recorreu a este indicador para mostrar que «Portugal vive acima das suas posses (…) tanto Estado, como empresas como particulares endividam-se».

 

Num recente estudo internacional sobre taxa de poupança, «Portugal está abaixo do centésimo lugar num conjunto de 117 países analisados», recordou Daniel Bessa, orador convidado num encontro promovido pelo banco Millennium bcp com clientes, quarta-feira à noite, em Castelo Branco.

 

Daniel Bessa disse que destacaria esta como «a característica mais difícil com que a economia portuguesa tem de confrontar-se» e insistiu na necessidade de Portugal «investir para exportar».

 

Dados da OCDE divulgados esta quarta-feira mostram que o défice da balança comercial portuguesa reduziu entre 2006 e 2007 de 10,1 para 9,8 por cento do produto interno bruto (PIB) mas prevê agravamentos substanciais este ano e em 2009, para 11,6 por cento do PIB.

Existem bons exemplos do que se deve e está a fazer, disse o antigo ministro, referindo os casos da Efacec, Sogrape, Nutrinvest, Salsa e pequenas empresas de base tecnológica que «estão a mudar a economia portuguesa».

 

«Mas começamos tarde», afirmou, e «precisávamos que a economia mundial continuasse a crescer a bom ritmo (…) o que não está a acontecer».

 

«Surpreendeu-me a rapidez, a forma e a violência com que colapsou», confessou o economista, prevendo que «teremos de conviver com esta crise durante bastante tempo ainda».

 

O clima é «bastante negativo» e os discursos que destoam, como «o do primeiro-ministro [José Sócrates] e do ministro da economia [Manuel Pinho], só se percebem porque nas soluções não cabe o pessimismo».

Fonte: Diário Digital 

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